Há histórias dentro de nós que começaram muito antes de termos consciência delas.
Quando somos crianças, o mundo emocional é imenso e, muitas vezes, incompreensível. Sentimos tudo com intensidade, mas ainda não temos as ferramentas para interpretar o que está a acontecer.
Às vezes bastou um silêncio que não foi explicado, uma ausência que ninguém nomeou, uma crítica repetida muitas vezes, uma comparação que parecia pequena para os adultos, mas que para a criança foi profunda.
E assim, sem perceber, começamos a construir interpretações sobre nós mesmos.
Talvez a criança dentro de si tenha aprendido que precisava de ser perfeita para ser amada. Talvez tenha acreditado que precisava agradar para não ser abandonada. Talvez tenha entendido que precisava controlar tudo para se sentir segura.
Essas interpretações tornam-se, muitas vezes, em crenças. E as crenças transformam-se em comportamentos, escolhas e padrões que carregamos durante anos sem questionar.
Por isso digo tantas vezes algo que considero muito importante… não se pode guiar alguém onde ainda não se teve coragem de entrar.
E entrar na própria história exige coragem.
Não para procurar culpados. Mas para trazer consciência.
A consciência não muda tudo de imediato, mas ela abre uma porta. E quando uma porta se abre dentro de nós, começa um processo muito profundo de reorganização interior.